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A INTERNET MUDOU A PAQUERA: “Namoro virtual não é bom para os desesperados”

namoro online O mundo deu voltas e voltas. A comunicação humana já passou pelos sinais de fumaça, ruídos de tambores, mensageiros que viajavam longas distâncias para a entrega de uma carta, correio aéreo, telégrafo, telefone.... e hoje podemos nos comunicar em tempo real através da internet. Com a nova tecnologia, a maneira dos encontros amorosos também mudou.

Segundo a professora na Universidade Federal do Paraná (UFPR) da disciplina "Relacionamento Amoroso: Teoria e Pesquisa" e doutora em Psicologia pela Universidade de São Paulo (USP), Lídia Weber, a atração física parece não ter mais tanta importância para um contato inicial.

"É possível sim se apaixonar por idéias inventadas, sem dono, ou cujo dono não é o mesmo corpo que as tecla no microcomputador. Podemos inventar uma outra identidade ou utilizar frases de outras pessoas. Vivemos numa nova era, onde encontrar-se no cyberespaço, trocar idéias com pessoas do outro lado do mundo sem nunca tê-las encontrado fisicamente, fazer sexo e apaixonar-se através de um chat não é mais ficção-científica. É realidade", diz ela.

Mas afinal, será que as pessoas fazem isso porque estão sozinhas, para facilitar o primeiro encontro ou por que é um novo método de comunicação? Para a psicóloga, as relações "virtuais" não substituem os encontros físicos nem as viagens. Podem sim auxiliá-las na preparação. "Não temos a resposta certa (e estamos numa era em que não existe somente uma resposta correta...), mas nos casos de encontros amorosos, eles podem dar certo ou não, podem ser muito bons ou dramáticos. E podem ser também muito lúdicos e cheios de sonhos. Ou pesadelos", observa ela.

"Encontros virtuais servem para conversar, trocar experiências, passar o tempo, atenuar a solidão, namorar e até fazer sexo (virtual), num encontro de sociabilidades".

Apesar das pessoas estarem ligadas a um aparelho, elas passam a ser espectadores, atores e diretores de sua própria história. "Talvez na base deste fenômeno haja o desejo do homem de compensar o desaparecimento progressivo dos lugares públicos para encontros em nossa vida de todos os dias ou talvez seja somente uma nova forma de comunicação", afirma ela.

Descartável

Para a professora em Psicologia da Faculdade Don Domenico Guarujá, no litoral de São Paulo, Eliza Helena Ercolin, o namoro via internet nada mais é que um reflexo de nosso tempo, tão individualista e ligado ao consumo rápido e descartável. "A questão tem dois lados. O negativo, a pessoa clica e fala com quem lhe interessa no momento que quiser, inventa-se um personagem, ou seja, não se respeita o outro do outro lado do monitor. O lado positivo, se a partir de paqueras via net, o adolescente consegue se soltar e vivenciar mesmo virtualmente o que é se relacionar com alguém, acho válido como treino para pessoas tímidas e, só se depois do treino, partir para relacionamentos reais", afirma ela.

Já para o neurologista, psicoterapeuta e professor da disciplina de Propedêutica do curso de Medicina da UFPR, Mário Negrão, é preciso considerar quatro pontos de vista
sobre o namoro virtual: a adaptação, a intenção, o encontro e a verdade.

Adaptação

Não podemos excomungar nem considerar o namoro virtual como uma anomalia. "Os tempos mudaram e este tipo de comportamento hoje faz parte do nosso cotidiano. Mal dizer este tipo de atitude é perda de tempo. Temos sim é que nos adaptar à nova realidade. Não dá mais para fugir dela", observa ele.

Intenção

É preciso, segundo o psicoterapeuta, considerar a intenção com que a pessoa faz tais contatos virtuais. "Quando se cria
uma amizade e isso vai se aprofundando pouco a pouco, ou seja, quando a intenção inicial não era achar alguém e a paixão simplesmente acontece... a experiência é muito válida. Agora, quando a intenção é encontrar alguém, a busca pode ser
desastrosa. A internet, ou melhor, o namoro virtual é bom, mas não para os desesperados. Aqueles que gostam de fazer
amizades acabam inevitavelmente ‘tropeçando’ em alguém interessante", observa Negrão.

Encontro real

"Depois de diversos contatos e conversas on-line e a pessoa já está gostando da outra, o encontro pessoal é imperativo,
caso contrário o romance ficará apenas no virtual. E aí teremos um romance como o do músico Tchaicowski, que se correspondeu a vida toda com uma mulher e os dois se viram pouquíssimas vezes... e sabemos que o músico preferia outro tipo de relacionamento, o homossexual. Por isso, devemos saber a hora certa do encontro real", explica.

Nunca minta

O interesse neste tipo de relação é sui generis porque não existe o contato real. "Já que a presença física não é real, a informação deve ser real. A mentira poderá levar a uma situação bastante embaraçosa e até mesmo desastrosa", explica Negrão.

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Nádia Schiavinatto (TudoParaná)


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